Bandhas: o controle e a retenção da energia

September 7, 2018

 

O termo bandha significa fecho, retenção, contração e controle. Atuam sobre os plexos nervosos e glândulas endócrinas, tendo como meta controlar o fluxo de prana no corpo e dinamizar a energia dos chakras com o fim de despertar a kundalini e auxiliar o praticante em sua evolução.

Os bandhas potencializam pranayama, ásana, certos exercícios de concentração e de mentalização. Estas contrações funcionam como chaves do fluxo energético no organismo, distribuindo e conectando a energia entre as diferentes partes do corpo. Elas forçam a inversão das correntes prânicas.
 

 

Os principais tipos de bandhas:
 

Mula bandha – (mula = raiz, fonte, origem) contração dos esfíncteres do ânus e da uretra, com elevação do assoalho pélvico, atuando sobre as glândulas sexuais. Os músculos dos esfíncteres empurram a energia vital para o interior do corpo. Essa contração é seguida do recolhimento dos músculos do baixo-ventre e dos glúteos. Proporciona o controle da energia vital do corpo, melhora a irrigação sanguínea da região pélvica, fortalece o esfíncter. Dissipa constipação, mantém equilíbrio hormonal, confere vigor ao sistema nervoso central. Para as mulheres é indicado na gestação e pós-parto. Para os homens, aumenta a potência sexual e controle da ejaculação.

 

Uddiyana bandha – (uddi = para cima; yana = caminho) sucção abdominal com elevação do diafragma, atuando sobre o plexo solar e cardíaca. Essa parte central do corpo produz energia, permite a entrada de prana pela sushuma nadí, situada na base da espinha dorsal, despertando a kundalini. Execução: Na variação tamas, fique de pé, com os pés ligeiramente afastados, incline o tórax para frente, encaixe o cóccix para baixo. Coloque as mãos no alto das coxas, dedos voltados para dentro. Faça a inspiração completa e ao expirar, contrais os músculos do abdômen, puxe o diafragma para dentro e para cima, conferindo uma aparência côncava. Quando não puder mais permanecer sem ar, inicie a inspiração baixando as costelas devagar e retomando a posição vertical. Na variação rajas, ao invés de manter o diafragma contraído, acrescente o movimento dinâmico projetando a barriga para fora e para dentro segurando a respiração. Cada ciclo pode ser em média de 30 contrações. O importante é o vigor, não a velocidade. Benefícios: Promove ação peristáltica, estimula o funcionamento do fígado, fortalece os músculo abdominais e reduz a gordura local, produz vigor físico a vitalidade psíquica.

 

Jálandhara bandha – (jala = eixo nervoso da região do pescoço; dhara = estiramento para cima) É o alongamento do bulbo raquidiano (parte posterior do pescoço), retraindo o queixo em direção ao peito. Execução: Sentado em postura de meditação, inspire distendendo o pescoço para cima e expire voltando a cabeça para baixo comprimindo o queixo contra o peito. Benefícios: Atuando sobre a tireoide e as paratireoides, dirige o prana para os chakras da base da coluna.

 

Jihva bandha – (jiva = língua) É a compressão da língua contra o céu da boca, atuando sobre as glândula salivares, pituitárias e pineal. Nesse ponto, segundo os yoguis, encontra-se o néctar da imortalidade, uma substância que equivale a um hormônio. Execução: Alonga-se a língua em direção a garganta, pressionando o palato mole com a parte de trás da ponta língua. Benefícios: massageia as glândulas pituitárias e pineal.

 

Bandha Traya – (traya = três) É a execução dos três primeiros bandhas. Sentado em posição de meditação, inspire iniciando o jalandhara bandha, alongue o pescoço e retenha o ar. Ao expirar, abaixe a cabeça faça mula bandha, uddiyana bandha e jalandhara bandha, mantendo-se na posição até enquanto puder permanecer sem ar nos pulmões. Benefícios: produz-se uma inversão das correntes energéticas naturais do corpo. A energia descendente chama-se ápana e governa a metade superior do corpo. As duas correntes de energia, prana e ápana se encontram e se unem na altura do umbigo (que está sendo contraído em direção a coluna), despertando a energia kundalini.

 

Durante a prática dos ásanas é essencial o uso desses dois bandhas secundários nas posturas que envolvem o apoio das mãos ou dos pés:

 

Páda bandha – É a formação do arco da planta dos pés, trazendo a consciência desde os calcanhares até os ossos do centro dos pés. A energia concentrada é impulsionada para cima, através das articulações, das pernas e da coluna. Quando os pés estão na esteira, espalhar os dedos e pressionar o pé inteiro na esteira para distribuir o peso uniformemente entre os 3 arcos do pé. Os três arcos estão localizados entre o dedão do pé ao dedo mínimo do pé, o dedo grande do pé até o tornozelo e o tornozelo ao dedo mínimo do pé, criando um triângulo.

 

Hasta bandha – A pressão firme das palmas e dedos das mãos ativa os chakras das mãos e canaliza-se a energia através dos braços até a parte superior do tronco. Quando as mãos estão sobre o tapete, espalhar os dedos e pressioná-los para o tapete para aumentar o arco natural na palma da mão. O arco permite que o peso do corpo seja uniformemente distribuído entre a mão evitando a tensão e prevenindo a lesão no pulso.

 

Lembre-se de apenas praticar essas práticas dentro do contexto do yoga, seguindo os yamas e niyamas, técnicas de purificação do corpo e dos pensamentos, por meio da alimentação vegetariana, kriyas (práticas de limpeza do corpo), pranayama, ásanas, bhuta shuddi (purificação do Ser) e chittta suddhi (purificação da consciência). Na busca do discernimento (viveka) e do desapego (vairagya), o praticante (sadhaka) amplia o desejo de liberação e alcança a autorrealização.

 

 

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